Guia completo sobre os principais tipos e classificações de vinhos

Degustar um bom vinho e apreciar todas as suas nuances de sabor e aromas é definitivamente uma experiência deliciosa. Não somente pela bebida, mas também porque a cada novo gole, novas informações são adicionadas ao seu repertório enológico. Por isso, as experimentações são tão importantes.

Mas para adicionar uma camada extra de conhecimento sobre os tipos de vinhos, é fundamental que você também entenda suas classificações. Ou seja, todas as características que os fazem únicos e, ao mesmo tempo, pertencentes a uma família. Assim você terá o poder de compará-los de maneira mais acurada.

Quem nunca se deparou com uma carta de vinhos no restaurante e teve dúvidas sobre o que todas aquelas informações significam? Ou se sentiu perdido frente a uma grande diversidade de rótulos?

Para te ajudar a entender a classificação de vinhos perfeitamente, preparamos este guia. Continue lendo até o final e entenda exatamente o que querem dizer informações como classe, cor e teor de açúcar. Vamos lá?

1. Classe do vinho

A classe é o primeiro critério de classificação dos vinhos. Ela fala sobre a família à qual cada um deles pertence. Isto é, qual o estilo do vinho, o teor alcoólico, assim como a pressão dentro da garrafa. Para aferir o último, é necessário que seja mantida a temperatura ambiente de 20°C.

Dentre cada uma dessas classes, os vinhos ainda podem ser tintos, brancos, rosados ou, ainda, doces, secos, demi-sec etc. Ou seja, essa classificação não interfere nas outras que virão a seguir, como cor e quantidade de açúcares.

1.1  Vinhos de Mesa

Os vinhos de mesa são aqueles indicados para acompanhar as refeições. De acordo com a legislação brasileira, eles devem ter o teor alcoólico entre 8,6 e 14%. E sua pressão, independentemente de eles serem naturais ou gaseificados, deverá estar entre 1,1 e 2 atmosferas quando a 20°C.

A maior parte da produção é de vinhos de mesa. É deles que estamos falando quando avaliamos as formas de harmonizar a bebida com o prato escolhido.

Dentro dessa classe, podemos incluir também os vinhos finos. Essa é uma classe diferente que exige o uso exclusivo de videiras Vitis vinífera, e tecnologias específicas para produção da bebida. Mas eles também podem usar a nomenclatura “vinho de mesa” em seus rótulos.

1.2 Vinhos Leves

Os vinhos leves são, por definição, os de teor alcoólico mais baixo. Entre 7 e 8,5% em volume. Mas essa bebida deve ser obtida exclusivamente a partir da fermentação dos açúcares naturais das uvas.

A única exceção são os vinhos leves obtidos a partir dos vinhos de mesa. E, nesse caso, os últimos também devem estar dentro das normas especificadas pela legislação brasileira.

1.3 Champagne ou Espumantes

A classificação dos champagnes é facilmente confundida no Brasil. Isso porque a legislação francesa deixa claro que apenas as bebidas espumantes produzidas na região de Champagne podem receber esse nome.

Entretanto, no nosso país, são classificadas dessa forma todos os vinhos com anidrido carbônico proveniente da segunda fermentação feita em garrafas. Ou seja, ela não depende da região de produção, e sim da quantidade de gases presentes na bebida e como eles foram obtidos. A pressão mínima a 20°C deve ser de quatro atmosferas, e o teor alcoólico variar entre 7 e 10%.

1.4 Vinhos Compostos

Os compostos são as bebidas feitas a partir da adição de outros ingredientes à fórmula do vinho. São macerados, substâncias de origem animal ou mineral, açúcar, caramelo, plantas amargas ou aromáticas, mistela simples ou até mesmo álcool etílico. O importante é que 70% do conteúdo seja originário do vinho de mesa.

O resultado deve ter entre 14 e 20% de teor alcoólico, o que é uma quantidade alta se comparada com as outras classes da bebida.

1.5 Vinhos Licorosos

Os vinhos licorosos também têm teor alcoólico mais alto do que os demais, assim como os anteriores. Devem estar entre 14 e 18%. Esses valores são obtidos a partir da adição de ingredientes também similares aos dos vinhos compostos.

A legislação brasileira permite que sejam usados o álcool etílico potável de origem agrícola, mosto concentrado, mistela simples, caramelo, açúcar e caramelo de uva. Essas características fazem com que eles sejam degustados, em sua maioria, como aperitivos ou digestivos.

Dentre os vinhos licorosos mais famosos estão o Porto, o Madeira, o Jerez, o Málaga e o Moscatel de Setúbal.

1.6 Vinhos Frisantes

Os frisantes podem ser confundidos com os champagnes ou espumantes a olhos e paladares desavisados. Isso acontece porque eles apresentam alta gaseificação, natural ou artificial. Mas para ser considerado um frisante, o vinho deve ter entre 7 e 14% de teor alcoólico em volume.

Mas a grande diferença entre eles e os espumantes está na pressão necessária. Devem estar entre 1,1 e 2 atmosferas a 20°C, enquanto os champagnes deverão ter, no mínimo, 4.

2. Cores de classificação de vinhos

A cor é provavelmente a forma mais simples e intuitiva de se classificar um vinho. Afinal de contas, a informação está diante dos seus olhos, não é necessário ler o rótulo para enxergá-la. É também um dos critérios mais usados pelos amadores para especificar seus gostos e preferências.

Muitas pessoas acreditam que uvas roxas resultam em vinhos tintos, enquanto as verdes só produzem vinhos brancos. Mas a verdade é que essa classificação carrega informações sobre a produção da bebida que vão muito além da cor dela.

O processo de fermentação tem um papel muito importante no resultado do vinho, assim como o tempo que a casca das uvas estará em contato com o mosto. É ela que definirá a coloração, os sabores e aromas que a bebida terá.

2.1 Vinho Tinto

Os vinhos tintos são os mais produzidos e vendidos em todo o mundo. Eles têm cores escuras com diferentes tonalidades de vermelho. O que influencia a sua cor final é a combinação entre o tipo de casta e o processo de fermentação escolhido.

Nesse caso, eles são exclusivamente feitos com uvas tintas ou pretas. Também é fundamental que ocorra a maceração das cascas durante a produção. Ou seja, elas deverão descansar junto com o restante do mosto, uma vez que serão responsáveis pela cor e sabor do vinho.

A harmonização dos tintos está muito relacionada à carne que será servida. Geralmente, eles serão indicados para acompanhar carnes vermelhas, mas é importante analisar outros fatores além desse. Entram em cena a acidez, quantidade de taninos e até mesmo as gorduras presentes na receita da comida.

Existem muitas crenças, religiosas e médicas, relacionadas ao consumo do vinho tinto. Mas o que a ciência provou foi sua efetividade no estímulo do metabolismo. Também o fato de que tomar um cálice da bebida por dia ajuda a prevenir doenças cardiovasculares. Na dúvida, melhor optar por degustar os bons rótulos.

2.2 Vinho Branco

O vinho branco pode ser produzido a partir de uvas verdes e claras, mas também com as mais escuras. O que permite a coloração amarelo-esverdeado (e até dourada tendendo ao âmbar) é o fato de que as cascas são retiradas do processo. Dessa forma, apenas a polpa da fruta é fermentada e o vinho não adquire a coloração dos tintos.

Muito conhecido por acompanhar bem os peixes e frutos do mar, o vinho branco tem geralmente um toque refrescante. Não apenas por ser servido em temperaturas mais baixas que os outros, mas principalmente por causa de seus sabores.

Por isso, esse é o vinho perfeito para climas tropicais, como o do Brasil. Apesar de ainda não ser o campeão de vendas no nosso país, ele tem conquistado os degustadores que não abrem mão da bebida, mesmo durante o verão.

2.3 Vinho Rosé

Dentre as três colorações possíveis de vinhos, essa é a menos conhecida pelos brasileiros. Entretanto, esse é um mercado em ascensão. Assim como o vinho branco, esse é um tipo muito apreciado durante o verão. Além de ser facilmente harmonizado com pratos grelhados ou salmão acompanhado de pouco molho.

Eles podem ser encontrados em cor rosa até um tom de laranja escuro, com variações tonais entre os dois extremos. O que dá a cor aos vinhos rosés é a mistura entre as uvas tintas.

O que acontece é um contato muito breve da casca com o mosto. Como ela é retirada ainda durante o processo de maceração, eles adquirem coloração e sabor, mas ainda são menos fortes que os tintos.

Os vinhos rosés são considerados símbolos de status nos Estados Unidos, enquanto na Europa são bebidas muito populares, principalmente nos países banhados pelo Mar Mediterrâneo, onde são consumidos em larga escala durante o verão.

3. Teor de Açúcar

O teor de açúcar é a terceira e última forma de classificação de vinhos. Aqueles que entendem um pouco mais sobre a bebida já têm o hábito de consultar o rótulo à procura dessa informação. Isso porque esse é um fator que influencia muito o sabor final da bebida. E é responsável por conquistar legiões de fãs para um ou outro tipo.

Para sermos mais específicos, essa classificação se refere à quantidade de açúcares residuais na bebida. Ou seja, após o processo de fermentação, quanto restou na fórmula e que não foi transformado em álcool ou gases.

3.1 Vinho seco

Os vinhos secos são aqueles com a menor quantidade de açúcar em sua fórmula. Eles devem ter, no máximo, 5g por litro de bebida. Isso significa que, durante a sua produção, quase a totalidade da frutose das uvas foi aproveitada.

Podem ser brancos ou tintos e são produzidos em todas as regiões vinícolas do mundo. Em sua maioria, eles são bastante apreciados como vinhos de mesa, acompanhando uma bela refeição.

3.2 Vinho Suave

Os suaves geralmente são os preferidos daqueles que ainda estão no início da sua experiência com os vinhos. Isso porque eles são os que contém mais açúcar em sua fórmula e, geralmente, nós somos atraídos pelas bebidas mais doces quando ainda inexperientes.

Mas nada impede que você continue gostando dos vinhos suaves mesmo após experimentar diversos rótulos. Todos têm o seu lugar e hora, e os vinhos suaves são perfeitos para acompanhar sobremesas. Ou até mesmo como digestivos após a refeição.

Por definição, os vinhos suaves são aqueles que têm mais de 20g de açúcar por litro de bebida. Essa quantidade é o resultado da soma do açúcar residual da fermentação acrescido de outras quantidades adicionadas posteriormente.

3.3 Vinho demi-sec

Os vinhos demi-sec, ou meio doces, são os intermediários entre os secos e os suaves. Por isso, é natural concluirmos que a quantidade de açúcares residuais deva estar entre os 5g e 20g por litro da bebida. Essa característica os transformam em boas bebidas de transição para quem ainda precisa acostumar o paladar para receber os secos.

Esse é um dos tipos de vinhos que fazem muito sucesso no Brasil. Por isso, muitas marcas importadas dão bastante destaque para essa informação em seus rótulos. E são várias as opções de tintos, brancos e espumantes.

Seu perfil intermediário torna a harmonização do demi-sec bastante versátil. Os que tendem mais para o sabor adocicado combinam com as sobremesas. Enquanto os mais próximos dos secos, com perfis mais encorpados e complexos, podem ser facilmente servidos junto com as carnes brancas.

3.4. Brut

O termo Brut é usado para se referir à quantidade de açúcares em champagnes e espumantes. São divididos entre Brut nature, Extra brut e Brut. O primeiro é aquele em que não há quase nenhum açúcar na fórmula, muito menos adição artificial. Conhecido como o mais seco dos brut.

O extra brut é parecido, mas pode ter até 6 g de açúcares. Enquanto o Brut tem uma tolerância de até 15 g por litro de bebida. Como você deve ter percebido, a classificação dos espumantes é um pouco conflitante com a dos vinhos secos e demi-sec. E é por isso que ela é feita separadamente.

4. 7 exemplos de tipos de vinhos e suas classificações

Até esse ponto, a classificação de vinhos é feita a partir de três critérios diferentes. Mas não são somente esses quesitos que devem ser observados ao escolher o seu rótulo. Existem ainda os tipos de uvas usados na produção.

Cada uma delas tem um perfil específico que dependerá diretamente da área onde é cultivada e processada. Isso porque as videiras dependerão de características de solo e clima para se desenvolverem. Mas também porque cada região tem suas tradições e influências a serem seguidas na fabricação da bebida.

Por isso, é seguro dizer que o tipo da uva não é totalmente determinante na classificação dos vinhos. Você perceberá que uma mesma casta tem o potencial para resultar em bebidas completamente distintas. Veja agora 7 exemplos de vinhos, suas classificações e entenda melhor como fazer a sua escolha.

4.1 Cabernet Sauvignon

O vinho tinto mais famoso do mundo é o Cabernet Sauvignon. Seu sucesso foi o resultado do trabalho intenso do mercado para que se tornasse popular. Isso porque essa é uma uva de fácil cultivo, pois cresce bem na maioria das regiões vinícolas. Dessa forma, é possível produzir mais gastando menos.

Apesar de ser mais conhecido por sua coloração escura, essa uva também origina vinhos brancos e que são igualmente apreciados. Em ambos os casos, eles tendem a ser secos e com perfis de aroma e sabor bastante complexos. São majoritariamente vinhos de mesa.

O fato de essa ser uma uva popular não significa que ela não tem qualidade. Na realidade, quando produzido corretamente, o vinho da Cabernet Sauvignon está entre os melhores do mundo.

4.2 Chardonnay

A uva Chardonnay é branca e, portanto, famosa por seus vinhos da mesma cor. Ela também tem um papel importante na produção de espumantes e Champagnes. Em sua maioria, origina bebidas secas ou demi-sec.

Essa também é uma uva extremamente versátil. Ela cresce bem em várias regiões do mundo. Por isso, além dos famosos franceses, também existem vinhos de Chardonnay originários da Itália, Califórnia e Brasil.

4.3 Merlot

As uvas Merlot são originárias da França, mas existem excelente rótulos vindos da Califórnia e da Serra Gaúcha, no sul brasileiro. Elas produzem vinhos tintos, geralmente menos encorpados do que a rainha das uvas tintas, a Cabernet Sauvignon. Em sua maioria são de mesa e secos.

Essa também pode ser considerada uma uva popular e extremamente elegante. A bebida é encorpada, bastante frutada e com complexidade em perfeito equilíbrio. Suas características podem ser conquistadas com o vinho ainda jovem, apesar de o envelhecimento conferir uma sensação ainda mais aveludada.

Existe uma grande polêmica quanto à época de colheita dessa casta específica. De um lado, existe a crença de que as mais maduras e com concentração maior de açúcares são melhores. Do outro, a recomendação é a de que as uvas mais jovens sejam usadas para que a acidez e os taninos sejam preservados.

Essa escolha será feita pelos produtores, e as diferenças trarão perfis diferentes às bebidas. Procure saber qual é o perfil da bebida que está degustando e eleja o seu preferido.

4.4 Pinot Noir

O vinho Pinot Noir é uma bebida bastante delicada. Ao contrário de seu conterrâneo Merlot, precisa ser envelhecido por alguns anos até que atinja sua melhor forma. Com o passar dos anos, ele evolui sua complexidade e estrutura, tornando-se muito mais interessante do que sua versão jovem.

Na maioria das vezes, produz vinhos tintos, mas é conhecida entre os enólogos como a uva roxa mais branca de todas. Essa fama acontece por causa de sua sutileza de sabor, próxima à dos vinhos claros. Pode ser usada para fabricar vinhos de mesa, mas também funciona muito bem como espumantes.

4.5 Malbec

Os vinhos da uva Malbec são de mesa, tintos e secos. Seu paladar é complexo, com amargor e corpo um pouco maiores que o Cabernet Sauvignon. Por isso, são geralmente harmonizados com carnes vermelhas fortes, como as costelas de boi.

Apesar de também serem vinhos da região de Bordeaux, foi na Argentina que eles conquistaram os melhores perfis. São bastante consistentes, concentrados, macios e com toques frutados proeminentes.

4.6 Blend

Os vinhos do tipo Blend são aqueles feitos a partir da mistura de várias uvas. O objetivo aqui é encontrar a perfeita combinação entre as características de cada um. Dessa forma, as qualidades são aumentadas, assim como seus aromas e sabores se tornarão mais complexos.

As uvas do tipo Merlot são excelentes para a produção de blends. Isso porque suas características marcantes são empregadas à mistura com papéis muito claros. O mesmo não serve para o Pinot Noir, cuja delicadeza se perde quando misturada a outras castas.

Também é possível identificá-los como vinhos de corte. A versão mais famosa deles é de origem bordalesa, feita com Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec. Esse é um vinho tinto, seco e de mesa, mas a classificação de cada garrafa dependerá da combinação e acertos das uvas utilizadas.

4.7 Varietal

Os vinhos do tipo Varietal são o caminho intermediário entre os cortes e aqueles produzidos com apenas um tipo de uva. Esses últimos, com 100% de uma fórmula originada de uma mesma casta, são chamados monovarietais ou monocasta.

Mas para que recebam a denominação de varietal, os vinhos devem ter a maioria de sua composição a partir de uma mesma uva. No Brasil são 75%, mas esse valor varia de acordo com a legislação de cada país. Os outros 25% são castas complementares, escolhidas a dedo para criar uma bebida mais harmônica, complexa e deliciosa.

5. Conclusão

As classificações e regulamentações que apresentamos neste texto são baseadas na produção nacional. Ou seja, rótulos internacionais estão sob a legislação de seus países de origem. Entretanto, não existem diferenças significativas entre eles.

Na dúvida, todos os rótulos devem ser traduzidos para a língua do país para o qual serão exportados. Por isso, não existem motivos para se preocupar. Você está em boas mãos e sua taça poderá ser preenchida com o néctar dos deuses.

As características de cada garrafa e suas classificações são importantes para que você consiga compreender o que está experimentando. Dessa forma, conseguirá comparar bebidas parecidas, assim como eleger suas favoritas para cada situação em que for degustá-las.

Se você chegou até aqui com água na boca, está na hora de expandir seu conhecimento e elevar a capacidade das suas pupilas gustativas para vários tipos de vinhos.

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1 Comentários

  1. Renata Antunessays:

    Muito boa matéria para iniciantes como eu

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